"Ministério Pulblico visita a comunidade"

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Quando: 15/08/2007

Rio - O Subprocurador-Geral de Direitos Humanos, Leonardo Chaves, visitou nesta quarta-feira a comunidade do Jacarezinho, Zona Norte do Rio, onde no último dia 15, a manicure Elisângela Ramos da Silva, de 28 anos, e seu filho Thiago Ramos da Silva, de apenas 4, foram mortos por balas perdidas durante incursão policial. No encontro, Chaves, que foi recebido por líderes comunitários, ouviu relatos de familiares de outras vítimas. Em todos os casos, a forma como a Polícia costuma entrar na comunidade foi criticada pelos moradores. Atendendo ao convite da Associação de Moradores do Jacarezinho, o Subprocurador visitou a comunidade e ouviu histórias de moradores que perderam parentes durante incursões policiais. Um dos relatos foi o de Célia Ribeiro de Macedo, de 60 anos, que teve seu filho Bruno, de 19, assassinado após ser confundido com um assaltante. Para socorrer o pai, que estava sofrendo um enfarte, Bruno, que trabalhava como entregador de pizza, saiu de casa, apenas de bermuda e chinelos, na tentativa de buscar um táxi para levá-los ao hospital. Ao entrar no veículo, foi abordado por um grupo de policiais, que o tiraram do carro, e, segundo relato de dona Célia, executaram-no sem dar chances de defesa. O pai de Bruno acabou falecendo a caminho do hospital, sem saber da morte do filho. "No mesmo dia, na mesma hora perdi meu filho e meu marido. Minha família acabou", contou Célia. O Subprocurador-Geral de Direitos Humanos pediu à Associação de Moradores um relatório com os casos relatados durante a reunião. Segundo Chaves, após a entrega desse documento as autoridades envolvidas serão chamadas para um entendimento. "Temos que conversar sobre a necessidade de rever essa estratégia, ou falta de estratégia, na hora de agir. Muitas pessoas estão morrendo, civis e militares", afirmou. Ao fim do encontro, ele destacou que a mobilização popular é fundamental para tentar reverter o quadro atual. "Os moradores estão mobilizados, unidos. Isso representa uma força. Coloco meu gabinete à disposição. Assim como recebo os presidentes das Associações de Moradores, receberei qualquer morador que esteja disposto a falar", disse.